“Você já viu sua mãe descansando?”: Peça sobre maternidade circula pelo Paraná

21 de maio de 2026 4 min de leitura

A peça “Não Me Chame de Mãe” circulou no estado em abril

Texto contemporâneo, com direção de Luciana Navarro, Não Me Chame de Mãe traz a atriz Carolina Damião na pele de Elisa, mergulhada em um drama reconhecível para muitas mulheres. Com um texto provocativo, a peça acolhe e desperta o riso. Não romantiza a maternidade e provoca a identificação até daquelas mulheres que não são mães.

Elisa é uma personagem ficcional inserida em um contexto de solidão e sobrecarga e que tem histórias reais das autoras e outras histórias de mães. A personagem carrega múltiplas vozes, de maneira que reforça a ideia de que as mulheres não estão sozinhas nesta trajetória. O espetáculo se constrói, assim, como um espaço de identificação, acolhimento e partilha. Em determinado momento, a personagem pergunta: “Você já viu sua mãe descansando?”.

O monólogo, que estreou em Maringá, em 2024, foi viabilizado pelo Prêmio Aniceto Matti, e foi desenvolvido ao longo de dois anos pela diretora Luciana Navarro e pela atriz Carolina Damião. Em 2026, a peça passou por Curitiba, Cascavel, Maringá, Londrina e Ponta Grossa por meio da Lei Aldir Blanc, e ampliou o debate sobre saúde mental materna e sobre o papel da coletividade na sustentação da infância. Após cada apresentação, o público permaneceu em uma roda de conversa com a atriz e, assim, o espaço de escuta e troca sobre os temas abordados em cena.

A diretora, Luciana Navarro conta que a escrita da peça aconteceu principalmente de 2022 a 2024, mas durante a montagem de 2024 e durante os ensaios de 2026 algumas alterações aconteceram. “Foi um grande desafio criar essa dramaturgia, principalmente porque a peça foi escrita por duas pessoas com experiências bastante distintas com o gestar e maternar, mas ambas vivendo no contexto pós pandemia e na configuração maternidade solo” , explica.

Para ela, a peça é um questionamento social sobre a solidão e a sobrecarga das mulheres mães em uma sociedade disfuncional, que não cuida delas e das crianças como é necessário. “Sobra julgamento e falta apoio” reitera. Mas a diretora afirma que a maternidade é um lugar onde se produz conhecimento, não é um local onde só se cria culpa e o sentimento de superação. “Enquanto acompanhamos o crescimento das crianças, estamos também descobrindo e inventando o futuro. São as crianças que apontam os rumos, se elas não são ouvidas, a sociedade perde uma grande oportunidade de melhorar.”

foto: DANICARV.

Peça Não Me Chame de Mãe em Ponta Grossa

A atriz e diretora pontagrossense, Michella França acompanhou os ensaios da peça Não Me Chame de Mãe na cidade de Ponta Grossa. “Como também sou mãe e artista, entendi a proposta e a discussão sobre o assunto.” Para a atriz, a peça debate um tema muito importante e necessário.

Michella reiterou que se identificou com a peça e que é necessário a manutenção de políticas públicas que pensem nas mães que são ignoradas pela sociedade com o discurso de que elas sempre precisam aguentar tudo. A peça abordou temas como “a desromantização da maternidade, onde nós mães sempre estamos esgotadas e muitas vezes sem rede de apoio para conseguirmos trabalhar e cuidar deles com saúde mental”, disse a atriz.

No dia 26 de abril, a atriz participou do podcast mediado por Carolina Damião onde foi discutido como é importante as mães procurarem rede de apoio e também alcançarem a independência. Em Ponta Grossa, a peça Não Me Chame de Mãe foi apresentada nos dias 24, 25 e 26 de abril no Cine Teatro Ópera Auditório B.

Jessica Allana Grossi
Autor(a) Jessica Allana Grossi

Jessica é formada em Jornalismo, é Editora-chefe do portal Cripto Cultural. É pesquisadora e jornalista de jornalismo cultural desde 2018. Trabalha com produção cultural, revisão, webdesign e escrita de livros de ficção e livros-reportagens. jessicaallanagrossi@gmail.com | criptocultural@gmail.com

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.