O Cartão e o Segredo das Margaridas

7 de agosto de 2026 4 min de leitura

Coluna Página das Margaridas de Lucianne Rocha

Entre as minhas doces lembranças da infância, há uma que nunca se apaga, o dia em que recebi um cartão de papel verde da cor da mata, coberto de margaridas delicadamente desenhadas.

Nele estavam escritas palavras à mão com muito capricho que eu nunca esqueci: “Que cada dia tenha a simplicidade das margaridas, pois são flores que encantam por sua beleza simples e precisam da luz do sol para florescer. Cresça  e floresça como uma margarida, olhando para luz de  Deus, seja simples e sincera em tudo que fizer e seu futuro será brilhante.”

Eu me lembro como se fosse hoje. Era fevereiro do ano de 1980, minha mãe e eu fomos visitar a Escola São Sebastião, uma escola particular e tradicional. Atualmente seu nome foi alterado para Escola Sagrado Coração de Jesus. Ao entrarmos na escola uma freira com um sorriso doce e olhos que pareciam ver tudo o que havia de bom na gente nos atendeu.

Depois da conversa entre minha mãe e aquela freira, me chamaram para entrar na sala. 

Que sala! Era grande e tinha um perfume diferente, que me agradou, tinha uma estante repleta de livros, alguns quadros nas paredes, em cima de uma mesa elegante, posso dizer assim,  tinha uma máquina de escrever, um caderno, algumas canetas e alguns lápis.

Fiquei por um tempo conversando com aquela freira, e depois ela chamou minha mãe novamente e eu fiquei do lado de fora sem entender o que estava acontecendo, mas tinha a certeza que iria estudar naquela escola.

Um tempo depois a freira saiu da sala com minha mãe e fomos caminhar, ela estava nos apresentando, havia dois andares, no primeiro andar, algumas salas de aula, o pátio, o parquinho, a sala de Artes, os banheiros, a cantina e a quadra, no segundo andar as salas de aula, a biblioteca, o salão grande com um palco, o laboratório e o corredor que ia direto para a casa onde as freiras moravam.

O tempo passou e no ano de 1984, aquela freira querida, chamada Irmã Thereza que era a diretora da escola foi embora, morar com outras freiras que estavam em idade avançada.

Fiquei muito triste, em sua despedida a Irmã Thereza prometeu manter nossa amizade e disse que eu poderia escrever quando sentisse saudades.

Então um dia decidi escrever e minha professora de Língua Portuguesa a Irmã Marta enviou a minha carta para o convento onde a Irmã Thereza estava morando.

Foi através deste meu gesto que a resposta chegou em lindo cartão, este cartão tornou-se tão especial para mim, porque eu conhecia as rosas, flores que minha mãe plantava no jardim de casa, mas não as margaridas. 

E de uma forma tão avassaladora me apaixonei pelas margaridas, mais do que as palavras que a Irmã Thereza me escreveu foi conhecer através daquele cartão a beleza das margaridas.

E até hoje a flor que mais amo são as margaridas, para mim não tem outra flor tão bela que chame a minha atenção. 

Muitas pessoas deixam saudades em nossa vida, pessoas que nos gestos pequenos, que cabem em um pedaço de papel, com margaridas e palavras simples, ficam guardados no coração por muito mais tempo do que imaginaríamos.

Hoje a Irmã Thereza não está mais aqui neste mundo, porém me lembro dela com tanto carinho, tanto afeto e saudades, seu gesto tocou o meu coração, o segredo das margaridas mudou meus pensamentos e minha concepção de beleza, pois na simplicidade há tanto encanto e formosura.


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Lucianne Rocha
Autor(a) Lucianne Rocha

Professora desde 2006. Neuropsicopedagoga desde 2024. Escritora de contos e poemas desde os nove anos de idade. Romancista. Graduanda em Jornalismo pela Universidade Positivo. Estudando Especialização em Marketing Digital pela Universidade Positivo. Estudando Inglês/UEPG. Redes Sociais: Instagram: @paginadasmargaridas Tiktok: paginadasmargaridas Youtube: paginadasmargaridas Blogger: paginadasmargaridas.blogspot.com

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