Era uma tarde cinzenta e fria na metrópole Emenés, no leste da França. Enienia encerra sua jornada de trabalho no jornal, e segue para sua caminhada como de costume.
Com fones de ouvido ela parecia desconectada da realidade, porém conectada ao que importava, com seu olhar atento e despretensioso, caminhava rumo a descobrir quais surpresas esta tarde lhe reservara.
Na primeira esquina, ela encontrou uma mulher a colocar o cachecol ao pescoço de uma criança, seus dedos ágeis e carinhosos, como se estivesse tecendo um escudo contra o frio, depois a pegou pela mão e seguiram em direção contrária.
Logo a frente, ela encontra um homem parar e ajudar um velho a carregar um cesto, sem palavras, apenas um aceno e um passo junto.
Viu um gato se enrolar em um banco de madeira, encontrando calor, onde ninguém imaginava existir.
Avistou uma praça, seguiu em direção a uma rua contrária a tal praça, rua esta que ela não conhecia, mas decidiu continuar e viu fumaças subir dos chaminés, lenta e tranquila, contando histórias de lares aquecidos, de sopas fumegantes e de abraços que esperam à porta.
Neste momento a saudade da casa de seus pais tocou-lhe o coração, uma lágrima desce sobre seu rosto, respirou fundo, a enxugou e continuou a sua caminhada.
O frio aumentou um pouco e com passos largos para se aquecer, Enienia encontra um casal de namorados, abraçados, conversas animadas e risadas. Ela parecia participar da conversa e acabou sorrindo também, o casal pensou que ela os conhecia e a cumprimentaram.
Envergonhada com tal atitude, Enienia encerrou sua caminhada, com o sorriso que tomou conta de todo seu corpo e seu coração voltou para a casa.
Chegando no apartamento onde mora, ela abraçou seu cãozinho Liro, ele por sua vez, lambia seu rosto e latia feliz, como se perguntasse o que havia acontecido no caminho.
Após tomar um banho, Enienia preparou um chocolate quente com biscoitos de coco e amendoim e seguiu para a sala onde fica sua mesa de trabalho.
Calmamente colocou o papel de datilografia em sua máquina de escrever, respirou profundamente e iniciou seus relatos com a seguinte frase: “Hoje 22 de dezembro, uma tarde cinzenta e fria, a saudade e a alegria tomaram conta de meu coração.”
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