Era fim de tarde, sábado de temperatura agradável, Enienia alimenta seu cãozinho antes de fazer um passeio.
Na praça central sentou-se em um banco de madeira, uma senhora com uma menina estavam brincando na praça, deveria ser a avó e sua neta, a menina pulava, e os braços abertos, como se quisesse abraçar o vento, a avó não corria, ficava ali com os olhos seguindo cada movimento, um sorriso quieto no rosto.
Quando a menina escorregou e caiu, não chorou, estendeu a mão e a avó a puxou devagar não com pressa de levantar, mas com carinho de quem diz, não se preocupe estou aqui sempre.
Logo as duas foram embora, pois a noite se aproximava. Enienia ficou ali por um tempo sozinha, quando surge do outro lado da praça uma jovem vestida elegante, trazendo uma bolsa segurando firme com uma de suas mãos, caminhava e olhava para os lados preocupada como se estivesse esperando por alguém.
De repente aparece um casal, conversavam baixinho e com olhares misteriosos voltados para aquela jovem.
Enienia com seu faro jornalístico observa tudo atentamente, olha para um lado, olha para outro até que algo apavorante acontece, a jovem solta um grito, Enienia levanta-se e corre até ela e o casal rapidamente desaparece da cena, como a fumaça que o vento carrega.
Enienia não acreditava no que via, a jovem estava sangrando, e resolve chamar por socorro, mas a jovem sussurra em seu ouvido para ela não ficar ali e sair correndo.
Enienia apavorada insiste em pedir por socorro, e ela sussurra algo horrível em seu ouvido, quem fez aquilo com ela foi um empresário de muito prestígio e o que carregava na bolsa o condenaria. Foi neste instante que Enienia percebeu que a bolsa não estava com ela, e assim a jovem fecha seus olhos e um silêncio ensurdecedor paira naquele lugar.
Enienia faz o que a jovem lhe disse e sai correndo e não olha para trás. Chegando em casa abriu a porta e a fechou rapidamente, fechou as cortinas da janela da sala voltada para a rua, sentou no sofá abraçando seu cãozinho e ficou ali, em silêncio com o coração acelerado e assustada fechou os olhos.
Um tempo depois ela pensou, será que foi tudo um sonho, foi tudo da minha imaginação ou tudo que presenciei foi real?
