Transformar vidas por meio da música, da arte e da cultura é o objetivo do projeto Música para Todos. A ação teve início às atividades da 9a edição com atendimento para 50 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, acompanhados pela Vara da Infância e Juventude de Ponta Grossa e/ou instituições sociais. Através da iniciativa, os alunos com idades entre 9 e 17 anos aprendem os fundamentos da música (harmonia, melodia e ritmo) e a tocar instrumentos musicais como teclado, violão, guitarra, ukulele, contrabaixo, flauta, bateria e percussão. As aulas também estimulam a disciplina, o respeito, a autoestima e o senso de coletividade, e ajuda os participantes a descobrirem novos talentos e perspectivas de futuro.
As aulas ministradas professores Ricardo Corrêa e Marcia Aparecida Souza estão sendo oferecidas às crianças e adolescentes atendidos no Centro de Convivência Nossa Senhora de Fátima, no Instituto Educacional Duque de Caxias (Guarda Mirim), no Instituto João XXIII, na Instituição Francisclara e no Núcleo Promocional Pequeno Anjo.
De acordo com o músico e coordenador do projeto, Ricardo Corrêa, neste ano o Música para Todos procura desenvolver nas crianças e adolescentes as habilidades de escutar, ouvir e entender. “A ideia do projeto sempre foi a da escuta, não só do ouvido musical, mas também do entendimento de cada vida que passa pelo projeto. A música entra como uma fonte de acolhimento e uma forma de entender um pouco o que as crianças, com suas dores e traumas, têm para falar.”
Ele acredita que o projeto também é um celeiro para novos talentos e revela que alguns alunos de edições anteriores foram direcionados para conservatórios, como a Banda Escola Lyra dos Campos e o Coro Cidade de Ponta Grossa. “Entretanto, isso não significa que todas as crianças vão sair daqui já músicos profissionais. Quando a gente fala em transformar vidas, a ideia é muito mais oportunizar um conhecimento através da música para que eles possam desenvolver a disciplina e aprender a trabalhar em conjunto”, diz. “Aqui entra também a questão de observar que cada um tem um talento e o seu espaço na sociedade, assim como num arranjo musical cada instrumento tem o seu espaço”, ensina.
O potencial da música no desenvolvimento da criatividade e do protagonismo também é destacado pela coordenadora do Centro de Convivência Nossa Senhora de Fátima, Joana Alana Ribeiro Coelho. “O Música para Todos é um diferencial na vida das crianças que têm a oportunidade de participar. Nós acreditamos que a arte transforma e que a música faz com que eles reflitam e conheçam novas possibilidades para a sua vida”. Ela também acrescenta que as aulas de música complementam as demais atividades da instituição.
Para a assistente social Elisângela Schaff, houve uma melhora perceptível no comportamento das crianças que ingressaram no projeto. “A partir da chegada do Música para Todos, as crianças compreenderam que tudo tem o seu tempo e o seu momento. As mudanças também aparecem na autoestima, na interação social e, principalmente no interesse, pois o projeto despertou aptidões e trouxe uma nova visão de futuro. Os resultados são significativos e positivos.”
Impacto social do projeto Música para Todos
O Música para Todos iniciou as atividades em 2016 e, ao longo de nove edições, já atendeu diretamente mais de 700 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e impactou mais de três mil pessoas por meio de apresentações, concertos e eventos abertos ao público. O objetivo é proporcionar cultura e educação para crianças e jovens atendidos por instituições de acolhimento, unidades socioeducativas e comunidades terapêuticas de Ponta Grossa e região. O trabalho de socioeducação visa o acolhimento e respeito ao adolescente, além de valorizar seus potenciais e fornecer novos estímulos. Além de promover a ressocialização pela arte, o projeto desperta novos talentos e até a possibilidade do adolescente seguir carreira como músico profissional.
Esta edição é viabilizada pela Lei Rouanet, conta com patrocínio da Belgotex do Brasil, Grupo Fancar e BRDE, apoio da Vara da Infância e Juventude de Ponta Grossa e produção executiva da ABC Projetos Culturais.
