Se um veleiro ancorasse na areia,
não seria estranho ou fora do lugar.
Suas velas, antes cheias de vento,
em silêncio, esqueceriam do mar.
O casco tocaria a terra suavemente,
marcando o chão com memórias,
e o cheiro de sal se misturaria à brisa,
como se o oceano inteiro tivesse decidido ficar.
As cordas, outrora firmes e tensas,
balançariam preguiçosas sob o sol,
pareceria ouvir uma voz intensa.
Então o veleiro, deixaria de caminhar.
Ali parado, livre com suas vitórias
descansando em sua solidão.
Por algum momento, parece um tormento,
não avistar o farol.
Calmo, ouve o canto das gaivotas
e o suspiro das ondas em notas.
Não perde a vontade de navegar,
devagar novamente na imensidão.
