Era uma noite escura e tempestuosa, onde a chuva caia incessantemente sobre a cidade adormecida. O vento uivava como um lamento, ecoando a solidão de quem perdeu alguém querido. Naquela noite, Raymile estava decidida a colocar um ponto final em sua dor, a eliminar de uma vez por toda a saudade que invadia seu coração e machucava seu peito.
Ela se preparou meticulosamente, vestindo uma capa negra que a envolvia como uma sombra e calçando botas silenciosas, prontas para avançar sem fazer barulho. Com passos firmes, Raymile caminhou pelas ruas molhadas, guiada pelo desejo ardente de se livrar do peso da memória.
Finalmente, chegou ao local onde a saudade habitava, um casarão abandonado que parecia sussurrar segredos antigos em seu ouvido. Com determinação Raymile, adentrou os portões enferrujados e se viu diante de um cenário sombrio e inquietante.
A saudade estava lá, sentada em uma cadeira de balanço, envolta em panos empoeirados e com o rosto oculto pelas sombras. Raymile não hesitou e se aproximou, sacando uma adaga reluzente que brilhava na escuridão como uma estrela solitária.
Com um movimento rápido e certeiro, Raymile desferiu o golpe fatal no peito da saudade, rasgando sua carne como se fosse papel. Um grito agudo de agonia ecoou pelo casarão misturando ao som da tempestade lá fora. A saudade se contorceu em agonia, tentando resistir ao golpe mortal.
Mas, finalmente, a saudade caiu silenciosa no chão, dissipando-se lentamente como fumaça ao vento. Raymile olhou para o vazio que agora ocupava da saudade e sentiu um misto de alívio e melancolia. O peso que carregava há tanto tempo havia desaparecido, mas junto com ele, também se foi uma parte de si mesma.
Raymile saiu do casarão para nunca mais lembrar daquele lugar, onde morava a saudade de um grande amor vivido e que nunca mais irá voltar, pois seu eterno amado morrera ali, onde lágrimas e gritos tomaram conta de sua vida, nada pode fazer, apenas sofrer.
Sem olhar para trás, Raymile caminhou pela noite escura, a chuva que caía lavava sua alma e suas lágrimas que pelo rosto rolavam, não agora de sofrimento ou tristeza e sim pela certeza que poderá uma nova vida começar e viver sem a dor imensa que tomou seu coração e ardia seu peito por muitos anos.
